Ecos do Mundo - parte 1

Soundcheck

Estação de Santa Apolónia

Há quem pare para ouvir. Há quem se sente como se numa sala de espera, e nós a música de fundo, enquanto os seus comboios não chegam. Há quem olhe com curiosidade, há quem pergunte: o que é isto? Quem são vocês? Quanto tempo ficam? Podemos ficar convosco?

Há quem tenha demasiada pressa para sequer reparar, e há quem repare com menos entusiasmo. Há quem indague: vão ficar muito mais tempo? Não pode ser mais baixinho? Há quem estivesse muito bem sem esta gente toda a ocupar espaço, a fazer barulho.

E o ensemble responde, tocando: pedimos desculpa pelos Incómodos Causados. Vamos continuar por aqui. 

fotografias: José Manuel Costa

O primeiro concerto

De Janeiro a Dezembro, de Lisboa ao Fundão, e pelos tantos outros lugares de que fomos sendo feitos, o caminho do RESSOA foi sempre acidentado. 

Cada passo um desafio. Nem sempre nos ajudavam os mapas, quando as estradas se transformavam em tempo real debaixo dos nossos pés. Mas chegámos. Agora estamos cá, e aquela primeira nota repete-se, enquanto nos acomodamos nas cadeiras, como um motor a aquecer, pedindo a atenção dos passageiros para esta última viagem que vai agora partir. 

No momento em que nos sentámos para tocar, com um público rendido à energia do Apolo, do Saba, do Destino, nada poderia ser mais natural. Tudo no RESSOA é difícil, com a excepção do momento em que soamos, enfim, juntos. E no entanto, todos sabemos o caminho que trilhámos até chegar aqui. O esforço que há por trás desta conexão que de fora parece orgânica.

As lágrimas, os abraços, os sorrisos, os corpos dançantes que enchem o hall da estação, mostram-nos que esse esforço vale a pena.

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A última residência