A última residência
Caminho de Lisboa para o Fundão
Durante a viagem, o Raúl contava que chegou a Portugal há nove anos. Mas não foi aí que tudo começou. Foi antes, em Paris. Não, antes ainda, em Luxemburgo. Ficou a pergunta no ar: Então o que era Lima? O que é esse tempo e esse espaço antes de tudo começar?
O Demba partilhava que em Tabatô não tinha o costume de celebrar o seu aniversário. Diz que há uma diferença muito grande entre perguntar “quando é o teu aniversário?” ou perguntar “quando nasceste?”.
É difícil identificar o ponto de partida - muito menos aqui, entre estes vários caminhos, com tanta bagagem, tantas canções, tantas camadas.
Imagens: Tiago Leão
A Moagem
Quando entrámos no auditório, já estava tudo a acontecer. O palco a ser montado, os imprevistos a surgir e a alterar todos os planos, a transformar a história do dia num enredo novo, que nos esforçávamos para acompanhar.
O técnico de som atenuava a situação: é tempo que se perde agora para se ganhar depois.
Tudo bem. Enquanto não começávamos, fomos começando.
Palco d’A Moagem
O desafio do ensaio era encontrar os finais para as nossas peças. Se nos deixássemos guiar apenas pelas nossas vontades, iríamos tocando sem parar até ao infinito. Mas a chegada, tal como a partida e o caminho, é um elemento inevitável da viagem, da canção. E o nosso destino, independente de o querermos ou não, estava mesmo ali. Era preciso prepararmo-nos para ele.
Conseguimos concluir o Apolo, o tema que imaginávamos que iria fechar o concerto. Vimos esta viagem a terminar com as vozes do público a juntar-se às nossas, uma constatação de que, de certa forma, caminhamos todos juntos.
Temos um bom fim, disse o Filipe. Vamos do início?
O que estava pelo meio, ainda assim, era incerto. E por isso nunca era demais o aviso: temos que estar atentos, olhar nos olhos, escrever uma nova história em conjunto a cada recomeço.
E nunca será tão bonito como foi agora. O que não significa que não vá ser tão bonito, de tantas outras formas.
